Alternativas para proteger as poupanças do fim do euro
Há várias alternativas para evitar que as poupanças encolham numa eventual saída de Portugal da moeda única. Mas em todas elas passa a estar exposto ao risco cambial. Conheça as várias soluções
Investir em barras para garantir valor
A escalada dos preços do ouro fez disparar a procura pela matéria-prima para investimento. Não só nos mercados, através de derivados financeiros, como em termos físicos, com a aquisição de barras de ouro. O apetite já não é de agora: "a tendência já vem de trás", disse fonte de um banco que não quis ser identificado.
Começou a sentir-se mais há um ano, quando a turbulência nos mercados accionistas levou a uma forte valorização do metal, que acabou por atingir a marca histórica de 1.921 dólares por onça, no passado mês de Setembro. O ouro está associado a refúgio, para alturas mais conturbadas nas bolsas, mas também é visto como uma protecção contra a inflação. E, no limite, pode ser uma alternativa para quem quer proteger as suas poupanças de uma eventual saída de Portugal da Zona Euro, isto porque é denominado na moeda norte-americana. Apesar de ser crescente a preocupação dos portugueses, "a procura tem-se mantido estável", disse fonte de um banco contactado pelo Negócios, que preferiu também não ser identificado.
É aos balcões dos bancos que é possível adquirir as barras de ouro físicas, sendo que, ultimamente, instituições como o BCP passaram a disponibilizar esta forma de investimento no seu "site". Tal como acontece em todos os activos em moeda estrangeira, também no ouro há o risco cambial. E há que ter em conta também a flutuação das cotações do metal nos mercados, sendo estas definidas pela lei da oferta e da procura.
Depósitos
À ordem ou a prazo... noutra moeda
Uma das principais alternativas para quem quer evitar ser surpreendido com o fim do euro são os depósitos à ordem, mas também a prazo, denominados em moeda europeia.
A oferta é variada. Praticamente todos os bancos têm aplicações que permitem converter os euros em dólares americanos, canadianos, australianos, libras e francos suíços.
A rendibilidade não é tão elevada como em euros. No BES, por exemplo, um depósito em dólares ou libras paga um juro de 1,3%, já em francos suíços rende 0,55%. A melhor proposta em euros é de 3%.
Há um "significativo aumento dos pedidos de informação por parte dos clientes", devido à apreensão causada pelas notícias de que algumas empresas estão a avaliar os efeitos de uma saída de Portugal do euro, de acordo com um banco contactado pelo Negócios.
Essa foi também a resposta obtida noutra instituição, que adiantou que esses pedidos não corresponderam a um crescimento "relevante" da procura por soluções alternativas, como as contas em moeda estrangeira. Não é possível quantificar o número de aplicações deste género, observando-se apenas que os depósitos realizados junto dos bancos portugueses continuam a aumentar, ascendendo a 127,5 mil milhões de euros em Setembro.
As aplicações em moeda estrangeira dão protecção contra uma desvalorização caso Portugal saia do euro, regressando ao escudo.
No entanto, há risco. A queda da divisa em que se investiu pode traduzir-se em perdas acentuadas.
Se esta valorizar, é possível ganhar mais do que com os juros.
Fundos
estrangeiros permitem diversificação
Uma forma de proteger as poupanças na eventualidade de Portugal sair do euro é investir em fundos estrangeiros. Se nos fundos domiciliados em Portugal o investidor ficaria exposto a uma hipotética nova moeda, com a perda de valor daí decorrente, nos outros está a fazer um contrato em moeda estrangeira. E como explica Paulo Câmara, jurista da Sérvulo & Associados, "os contratos em moeda estrangeira não são de princípio afectados pelo risco de desagregação do euro". Esse é também o entendimento do Banco Best, o maior distribuidor de fundos estrangeiros: "No caso dos fundos de investimento estrangeiro, provavelmente não haverá muita margem para que um Estado os possa redenominar, já que os fundos não são de jurisdição nacional".
Os fundos estrangeiros comercializados em Portugal são, na sua maioria, domiciliados no Luxemburgo. As unidades de participação estão também depositadas em bancos estrangeiros.
Mesmo o investimento realizado em euros nestes produtos não seria afectado, desde que a moeda única continuasse a existir noutros países. Uma vantagem dos fundos é que permitem investir de forma diversificada em diferentes classes de activos (acções, obrigações, mercado monetário, matérias-primas, etc) e regiões do mundo.
E também em várias divisas. As mais comuns são o dólar, o franco suíço e as coroas sueca, dinamarquesa e norueguesa. O investidor tem, no entanto, que ter em conta que passa a estar exposto ao risco cambial. O nível de risco tanto pode ser baixo - nos produtos que investem em aplicações de tesouraria - como muito elevado, no caso das acções ou matérias-primas.
Os fundos estrangeiros são comercializados sobretudo através dos bancos "online", como o Best, ActivoBank e BiG. O Deutsche Bank também distribui algumas gestoras. Os fundos nacionais tinham 6,5 mil milhões de euros sob gestão no final de Outubro.
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